Frente Revolucionária de Timor Leste Independente

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quarta-feira, 8 de abril de 2009

PILHAGEM DE ARROZ PELOS FUNCIONÁRIOS DO MTCI


Por: António Guterres

Não há dúvida de que os problemas ocorridos neste Ministério, dirigido pelo Sr. Gil Alves são muitos (corrupção, nepotismo…). Vem agora a história de pilhagem de arroz feita pelos próprios funcionários do MTCI. É um acto indigno e imperdoável.

Lamento que o Senhro Gil Alves não sabe aproveitar a sorte. Com toda a sinceridade, digo que o Senhor não está dignificar o seu passado. No passado, o Senhor esteve no lado errado, é uma realidade.

Quem é o Senhor Gil Alves?

É o Ministro de Facto do Comércio, Indústria e Turismo de Timor-leste. Era lider da pró-autonomia, apoiava a integração de Timor-leste à Indonesia. Hoje, está no governo porque foi a aposta pessoal do então Primeiro-Ministro de Facto (Xanana Gusmão).

Bom, as vezes, as circunstâncias do dia-a-dia obrigam-nos a falar do passado, o clima político que se vive no país, eu pessoalmente considero o termo “passado” é a linguagem ideal para o combate político.

Quando me refiro ao passado, não coloco em causa a qualidade e a capacidade do Sr. Gil Alves, limito-me apenas de avaliar o trabalho que o Senhor está a executar.

Recentemente, tem-se falado ou seja discutido no Parlamento Nacional de Timor-leste sobre a “investigação do saqueamento de arroz”. E mais, segundo a informação dada pela media, os funcionários do MTCI saquearam 4.000 sacos de arroz no armazém. É de facto uma situação lamentável e triste. A tal situação, demonstra a falta de eficiência na execução do trabalho pelo Sr. Ministro, por isso, o senhor é o principal responsável. Nos últimos dois anos, tem-se verificado o aumento dos níveis de corrupção e nepotismo neste Ministério, e agora, vê-se o saqueamento de arroz pelo mesmo Ministério. Se a situação permanecer inalterável, eu diria que o Xanana falhou na sua aposta.

Diante deste cenário, qual é a preocupação do Sr. Ministro de facto

Nada. Parece que o Sr. Gil Alves recusou de prestar explicações no Parlamento Nacional, acusando os deputados de tentarem incriminar o seu Ministério.

Ora bem, a sua indisponibilidade de não querer prestar explicações no Parlamento Nacional comprova mais uma vez a sua total incapacidade de conduzir este Ministério. Prova de que o Sr. Ministro não tem argumentos para discutir com os Deputados no Parlamento, agindo de má fé e não merece mais a confiança do povo.

Numa altura em que 80% da população timorense vive com menos de 1$ por dia, destes metade são crianças, a prostituição infantil ganha cada vez mais espaço. As pessoas não têm acesso aos recursos essenciais à vida em consequência disso, assite-se o fenómeno chamado “fome”. A fome não existe em primeiro lugar pela produção insuficiente de alimentos, mas sim pela falta de possibilidades nas famílias pobres para comprar alimentos ou produzí-los. A fome é, por tanto, o resultado da distribuição injusta de recursos estratégicos (Fundo de Segurança Alimentar).

As medidas estratégicas do governo de facto para combater este fenómeno

Nada! A preocupação deste governo de facto já não é novidade. Produzir despesas. Esssa é a única preocupação deste governo. A produção de despesas já é uma cultura do governo AMP, essas despesas são aplicadas para fortalecer o poder não para resolver os problemas do país. Investiu muito no Fundo de Segurança Alimentar com o dinheiro proveniente do Fundo da Estabilização Económica. O objectivo era criar um recurso estratégico e sustentável. A iniciativa foi admissível, pois, face a crise mundial que se tem assistido, era necessário que o governo tomasse algumas medidas para responder uma possível necessidade. Mas parece que não foi isso que sucedeu. Perante um Ministro sem ideias e sem planos, os funcionários do governo decidiram actuar com os seus próprios planos “ASSALTAR O ARMAZÉM DE ARROZ”.

Só quero reafirmar aqui que, se as situações política, económica e social do país continuam inalteráveis, o projecto chamado “AMP” será um projecto falhado.

Sugestões

O que é o Fundo de Segurança Alimentar?
O Fundo de Segurança Alimentar é um recurso estratégico e alternativo para a emancipação social e económica de populações carentes. Ele funciona como uma poupança comunitária. É o recurso poupado, não-reembolsável, é aplicado em situações que visam a promoção de inclusão social na comunidade.

Este Fundo deve ser visto como uma estratégia nacional para a redução da desigualdade social e a erradicação da fome e da pobreza, especialmente para aqueles que, hoje, encontram-se em situações de maior vulnerabilidade.

Mas parece que o governo de facto ignorou o conceito acima referido e decidiu avançar com o seu plano sentimental. Resolveu negociar com o seu próprio povo pelo custo que poderá sujeitar ao aumento das despesas públicas, colocando em risco o Orçamento Geral do Estado que, na verdade deveria ser utilizado para investir na criação de empregos e melhoria da qualidade de vida das populações timorenses.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

DEKLARASAUN BANCADA FRETILIN KONA BA INVESTIGASAUN NAOK FOS

BANCADA FRETILIN
PARLAMENTU NASIONAL RDTL
DEKLARASAUN POLITIKA

Loron 6 Abril 2009
Sr. Presidente em Exercisio,
no Distintus Deputadus Parlamento Nacional
Povo Timor-Leste tomak,

Hafoin Deklarasaun Politika Bankada FRETILIN nian iha dia 9 de Fevreiru 2009 liu ba, ohin Bankada FRETILIN dala ida tan hakarak koalia konaba politka AMP nian ne’ebe sosa no faan fos ba povu hodi osan povu nian rasik.

Iha sesaun plenaria dia 9 de Fevreiru 2009, tanba mosu problema fos babarak maka aat iha armazem laran tuir relatoriu fiskalizasaun Komisaun E Parlamentu Nasional, deputadus hotu-hotu iha uma fukun ne’e ho konsensus exize Ministru Comersiu, Industria e Turismo atu mai haloesplikasaun iha Parlamentu Nasional.

Maibe, Sr. Gil Alves, Ministru de Facto, Ministru AMP nian ne’ebe uluk nudar lider pro-otonomi nega povo Timor-Leste nia terus no mate tanba independensia, bosok povo hodihatete laiha masakre iha Igreja Liquica iha 6 de Abril 1999, nia sei hatudu nafatin ninia arogansia, nafatin ho nia atetude habosok povo,hatudu nia inkapasidade no desrespeitu ba soberania no kompetensia Parlamentu nasional nudar orgaun representativu povo nian, wainhira husu nia atu mai halo esplikasaun iha ne’e.

Nia hatete fali maka deputadus parlamentu mesak “asbun” deit, hanesan fali deputadus maka foti lia falsu hasoru nia ministeriu. Nune’e, maka Relatoriu fiskalizasaun no rekomendasoens Komisaun E nian konaba problema fos to’o ohin loron laiha valor buat ida no aumenta deit lixu Parlamentu Nasional nian.

Derepente, iha semana liu ba mosu notisia iha media konaba funsionariu MTCI naok fos 4.000 sakas iha armazem, halo ema barak maka hakfodak ho kazu ne’e hanesan novidade ida.

Ba ami Bankada FRETILIN kazu hanesan ne’e laos novidade ida. Hori uluk kedas Bankada FRETILIN preokupa tetebes ho politika Governu AMP nian ne’ebe halo intervensaun ho tau osan barbarak hosi Fundo Estabilizacao Economica, iha Fundo Seguransa Alimentar ho intensaun atu tulun povo ne’ebe susar liu-liu iha situasaun krise mundial aihan iha 2008 no atu estabiliza folin fos nian iha merkadu rai laran.

Tuir relatorio exekusaun orsamentu 2008 nian ne’ebe foin tama dadauk iha Parlamentu ne’e, osan hosi Fundo Estabilizacao Economica, to’o Fevreiru 2009 governo AMP gasta duni $53.502 milhoens ba sosa fos.

Parlamentu ne’e la hatene buat ida se osan montante ida ne’e hosi orsamentu 2008 nian deit, ka hatama hamutuk ona 48 milhoens ne’ebe aloka ba orsamentu 2009 hanesan divida, tanba prosesu sosa fos la iha transparensia, no dokumentus kontrato ho kompania sira sai nafatin dokumentu konfidensial Governo AMP nian.

Politika intervensaun ho osan barbarak ne’e, Governo AMP importa fos no faan fali hodi hetan reseitas, halo komke Governo AMP transforma tiha hanesan empreza ka “governo Korporativista” ida, ne’ebe halo negosiu ho nia povo rasik. Maske ho intensaun diak atu tulun aihan ba povu, maibe iha realidade politika intervensaun ne’e hamosu mafiakorupsaun no problema barbarak tanba governu la sukat ba limitasoens no kapasidade atu kontrola no halo gestaun, liu-liu kondisoens ba armagenamentu no distribuisaun iha rai laran.

Intervensaun hanesan ne’e sei bele hamate mos inisiativa privada i nune’e, Ohin loron ita hare katak importadores ba fo’os hein deit kontratu husi Gov AMP ka Pai-Natal AMP - tamba sira sei labele compete ho subsidiu no folin ki’ik ne’ebe fa’an husi loja AMP.

Ne’e duni hamosu ona situasaun dependensia total ba Gov AMP i nune’e sei aumenta despesa publika no fo todan ba OGE. Osan estadu nian, em ves de ba halo investimentu hodi fo servisu no hadia povo nia moris, Gov AMP fakar arbiru deit hodi habokur deit ema balu.

Ohin loron ita moris iha situasaun ida ne’ebe ho espekulasaun folin ba ahi han fo’os. To’o agora ita la hatene estratejia sa’ida mak Gov AMP iha no to’o bainhira mak sira atu kontinua ho intervensaun ne’e.Gov AMP komplika liu tan timor oan sira nia moris bainhira Ministeriu Turismo promote atu hola produto nasional ho folin ida ke a’as.

Ema barak hein hela bainhira mak promesa ne’e atu impolemta, maibe produto lokal nia folin iha fatin barbarak komesa sa’e maka’as.Nune’e, ita hare katak sasan nia folin iha merkadu sa’e ba bebeik. Ema ne’ebe manan osan ki’ik oras ne’e moris ho susar tamba osan la to’o hodi hola sasan karu iha loja no merkadu hanesan basar. Por ezemplu, modo futun ida ka hudi sasuit ida mos folin sa’e makas!!!

Ba deputadus no Ministrus ho Secretario de Estadus sira la iha problema tamba mana osan bo’ot, $3,000 dollar. Maibe ba funsionarius ne’ebe manan uituan deit no povu ki’ik sira todan tebe-tebes!!!Ne’eduni, inflasaun sei sa’e makas liu tan e nune’e ema ne’be iha osan mak sei moris diak maibe ferik ho katuas sira ne’ebe simu deit $20 fula-fulan sei moris ho susar liu tan!!!Ita nia agrikutores natar nain sira mos sei hetan susar barak atu fa’an sira nia fo’os tamba sira sei labele kompete ho folin ida ne’ebe loja fo’os AMP nian fa’an agora dadaun. Ho ida ne’e ema barak mak sei lakon insentivu atu kuda hare tamba sira nia produto sei la folin.

Ho ida ne’e Gov AMP halo kon-ke ita nia rain sei dependente maka’as ba importasaun fo’os husi liur biar Min. Agrikultura oras ne’e fahe tratores barbarak.

Sr. Presidente em exercisio,
No distiintus deputadus,

Wainhira ita debate OGE 2009 iha Uma Fukun ida ne’e, no hare ba ro barbarak antre ita tasi atu deskarega fos, Bankada FRETILIN hatete onakatak fo’os bara-barak ne’ebe Gov AMP importa liu husi Min Turismo, Komersiu no industria, barak mak sei a’at, barak maka sei lakon, no sei fahe arbiru deit.

Gov AMP ne’e gasta osan barak povu nian hodi hola fo’os bar-barak dala ida deit ba tinan ida, maske laiha armagem ne’ebe ho kondisoens diak atu rai fos. Ita la hatene los Gov AMP atu sosa tan fos toneladas hira iha tinan ida ne’e.

Nune fo’os balu rai fali iha armazem simento (halo uma no konstrusaun), balu fali rai iha fatin ne’ebe ladiak – nune’e fo’os barak tan mak a’at, ate balu a’at kedas iha ro laran tanba hela kleur iha tasi laran hodi hein deskaregamentu. I nune’e estraga deit osan hodi habokur deit ema balu i povu ne’ebe kiak sei moris kiak nosusar ba bebeik.

Bankada FRETILIN hatene mos katak Ministerio Komersiu i Industria halo fumigasaun ho produtus kimikus nudar solusaun ba fo’os sira ne’ebe rai iha amazem para labele a’at. Maibe ami hakarak hatete katak bainhira halo fumigasaun iha kondisaum hanesam ita nian, ne’ebe unidade maka’as, bele hamosu problema seluk ba saude publika tamba aimoruk husi fumigasaun ne’e bele kontamina ka tama ba fo’os musan, i nune’e bainhira ema ha’an bele halo ema moras. Ida ne’e bele fo’o mos perigu ba inan no inan-feto sira ne’ebe isin-rua tamba aimoruk ne’e bele mos fo’o problema ba oan kosok sira.

Ne’e maka problema ne’ebe mosu no grave tebes tanba sosa kedas fos barbarak ba tinan ida.To’o ohin loron, fatin barak iha foho ka iha sub distritu balu hosi Manatuto, Manufahi, Viqueque, Bobonaro, Ermera ho Oecusse, nunka hetan fos MTCI.
Ema kiak no ferik ho katuas barak mak laiha asesu ba fos governu nian. Situasaun ne’e iha tamba sistema distribuisaun ne’ebe Gov AMP halo ne’e konplikadu, diskriminatoriu no nakonu ho korrupsaun.

Komersiantes sira sosa fali fos hosi governu ho 10 ka 12dolares saka ida, hafoin troka tiha saka marka MTCI ho marka seluk hodi faan fali ho folin karun liu para hetan lukru. Komersiantes sira balu simu tiha DO la lori fos ba distritu ka fatin ne’ebe refere, maibe faan fali iha Dili laran atu hetan lukru barak liu.

Tanba ne’e maka ate fos barak lori tan ba fa’an iha Timor Ocidental liu hosi fronteira ho Atambua no balu para iha Kisar no Wetar (província Maluku, Indonesia) liu hosi fronteira tasi. Nune’e ema barak derepente sai riku matak tanba halo nafia bisnis fos ho Governu, maibe se makasofre iha negosiu ida ne’e, maka povo kiik sira.

Fos barak lakon iha armazem tanba kompania distributor sira uza DO falsu. Kazu fos 4.000 sakas lakon ne’e laos uniku kazu, maibe tuir dadus ka informasaun oioin ne’ebe Bankada FRETILIN hetan durante ne’e, iha mos kazu barak liu ho kuantidade bot liu dok ne”ebe involve ema bot sira balun.

Ita hein katak liu hosi funsionaria ida ne’ebe agora dadauk hetan investigasaun ne’e bele koalia mos konaba kazu sira seluk no hatete ema bot sira ne’ebe involve iha mafia bo’ot ida ne’e.

Sr. Presidente em Exercisio,

Problema fos loron-ba loron grave no bot ba bebeik. Governo AMP fakar ona povu nia osan barbarak hodi sosa fos maibe la fo benefisiu ba povo liu-liu sira ne’ebe preciza liu fos hosi governo.

Povo Timor-Leste sei la hetan no sei la konsume fos ho kualidade diak, tanba fos a’at aumenta bebebeik, no loron ba loron fos lakon iha armagem tanba máfia no korupsaun buras tebes.

Ne’e hatudu mos Governo AMP labele ona halogestaun diak no lakon total kontrolo atu hare’e problema fos nian.Tanba ne’e Governu AMP tenke rekonhese no hola responsabilidade ba nia politika intervensaun ne’ebe la diak ka falha ona, hodi demite tiha Ministru Turismu, Comercio e Industria, no halo mos auditoria geral ho involvimentu Parlamentu Nasional nian atu hare’e lolos no bele resolve problema bot fos nian.

Maka ne’e deit, obrigadu wai’in !!!!
Dili, 6 de Abril 2009

Bankada FRETILIN

Aniceto Guterres
Presidente

domingo, 5 de abril de 2009

ACONTECIMENTO EM LIQUIÇÁ


Timor-Leste: Dez anos de Liquiçá, o massacre que "iniciou a orgia" de 1999

Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa

Díli, 05 Abr (Lusa) - O referendo em Timor-Leste, em Agosto de 1999, começou a ser pago meses antes pelos adeptos da independência. A grande cobrança de sangue iniciou-se em Abril, na igreja de Liquiçá, passam segunda-feira dez anos.

O massacre de Liquiçá foi um marco na campanha que culminou na devastação de Setembro de 1999.

"Fomos avisados de que o ataque ia acontecer", recordou esta semana Marcelino Soares, de Maubara, mais a oeste de Liquiçá, à Agência Lusa.

Marcelino Soares, caixeiro numa loja em Díli, recolhe aos fins--de-semana à sua aldeia isolada nas colinas de Maubara. Vive com a memória de dois massacres e três histórias de sobrevivência - incluindo a sua e a dos seus pais.

"Os meus pais estavam refugiados na igreja de Liquiçá a 06 de Abril. Quando a (milícia de Maubara) Besi Merah Putih (BMP) atacou, os que saíam da igreja eram mortos a tiro ou à catanada ou à cacetada", contou.

Estavam cerca de duas mil pessoas na igreja e na residência paroquial, após um ataque na véspera à vizinha aldeia de Dato pela BMP.

"Só os que tinham algum conhecimento ou família é que se salvavam. Os outros eram mortos ali ou mais tarde, às escondidas. Os meus pais viveram porque ainda eram família de dois timorenses da tropa indonésia", prosseguiu o caixeiro de Maubara.

Quando aconteceu o massacre de Liquiçá, Marcelino Soares estava em Lecidere, no centro de Díli, desde Fevereiro, refugiado na casa de Manuel Carrascalão, um dos líderes da plataforma independentista.
A 17 de Abril, a mesma milícia BMP de Maubara e a milícia Aitarak de Díli, dirigida por Eurico Guterres, atacaram a residência de Manuel Carrascalão, matando o seu filho adolescente e um número indeterminado de refugiados, talvez mais de cem segundo testemunhos recolhidos pela Lusa em Díli, Liquiçá e Maubara.
Marcelino Soares sobreviveu ao Massacre de Lecidere mas andou meses fugido nas montanhas a sul de Díli. Só muito depois do referendo conseguiu localizar os pais na fronteira com Timor Ocidental, para onde tinham sido levados à força após o referendo.

"O 06 de Abril anuncia o 17 de Abril e o que veio a seguir. Devem ser assinalados como um mesmo acontecimento. Os criminosos são os mesmos e as vítimas foram as mesmas, sobretudo gente de Maubara", afirmou à Lusa a filha de Manuel Carrascalão, Christiana, assessora do Presidente da República.

"O massacre de Liquiçá iniciou a orgia de violência de 1999", resumiu o historiador australiano Clinton Fernandes, em entrevista à Agência Lusa.

Clinton Fernandes, entrevistado por telefone em Camberra a partir de Díli, recordou que o ataque de 06 de Abril "foi a primeira vez em que a santidade da Igreja foi violada".

"Do lado indonésio a mensagem era clara: nenhum sítio é seguro, nem a Igreja pode proteger os timorenses", resumiu Clinton Fernandes, ex-oficial de informações das Forças de Defesa Australianas (ADF) que em 1999 acompanhava o desenrolar do drama timorense.

"Liquiçá foi também o primeiro massacre de larga escala em 1999 e a ocasião em que a Indonésia pôs em prática o modelo operacional que repetiu depois, desde a coordenação de forças militares e policiais com as milícias até à limpeza de provas e à eliminação dos corpos", explicou Clinton Fernandes.

O historiador exemplificou com "a limpeza do sangue ensopando o chão com café e o disfarce dos buracos de balas nas paredes".
"O balanço mais exacto é de 86 mortos", disse Clinton Fernandes, citando a investigação conduzida pelo ex-diplomata australiano James Dunn.

Nenhum dos responsáveis superiores do massacre de Liquiçá e da campanha orquestrada de violência a que deu início foram até hoje trazidos à justiça, como salientou Clinton Fernandes.

"Recordar o massacre é tão relevante quanto se sabe que (o ex-comandante das Forças Armadas Indonésias) Wiranto está em campanha para a Presidência da República, tal como (o ex-oficial das forças especiais) Prabowo, ou que Eurico Guterres está em campanha para o Governo provincial em Kupang", notou o historiador australiano.

"As vítimas (de 1999) ainda não receberam nada", concluiu Marcelino Soares sobre a década que passou após o massacre. "Se for ver, não somos nós que estamos na base de dados do Ministério da Solidariedade Social. Só peticionários e deslocados de 2006."
Lusa/fim

sexta-feira, 3 de abril de 2009

12 DE NOVEMBRO 1991

*** Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa ***
Díli, 02 Abr (Lusa) - Os restos mortais de 16 vítimas do Massacre de Santa Cruz, de 12 de Novembro de 1991, foram hoje transferidos para o Hospital Central Guido Valadares, em Díli, Timor-Leste.

A exumação dos 16 corpos, a primeira desde os acontecimentos de 1991, "abre uma luz, um brilho para a pesquisa que ainda não temos" sobre o massacre, afirmou à Agência Lusa um dos sobreviventes, o ex-prisioneiro político Gregório Saldanha.

Os 16 corpos foram recuperados nos últimos dias no cemitério de Hera, a leste de Díli, pela Equipa Forense Internacional (IFT, da sigla inglesa), um projecto do Instituto de Medicina Forense de Victoria, Austrália, e da Equipa Argentina de Antropologia Forense (EAAF), fundada em 1984 em Buenos Aires.

Após a exumação em Hera, os restos mortais foram colocados simbolicamente na antiga cadeia portuguesa e indonésia de Balide, em Díli, onde funciona o secretariado da "pós-CAVR", a estrutura herdeira da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação timorense.

A trasladação para o Hospital Guido Valadares abre uma nova fase no trabalho da IFT, que tentará cruzar a análise dos restos mortais com as informações das famílias das vítimas do Massacre de Santa Cruz, de forma a obter identidades para cada ossada.

"Embora seja um número pequeno, a realização destas exumações já é um grande alívio", explicou Gregório Saldanha, coordenador do Comité 12 de Novembro.

"É uma necessidade de longo tempo, um peso que começa a sair", acrescentou Gregório Saldanha, que sempre defendeu que a investigação forense da IFT devia incluir Hera e não apenas locais a oeste da capital onde se supõe existir a vala ou valas-comuns principais do Massacre de Santa Cruz.

A primeira série de escavações, realizada na área de Tíbar em 2008, a oeste de Díli, "não revelou a existência de nenhuns restos humanos", afirmou na altura a antropóloga forense Soren Blau, da Austrália.

Esta semana, Soren Blau e o seu colega argentino Luis Fondebrider puderam anunciar a descoberta dos 16 corpos em 19 campas abertas no cemitério de Hera, sublinhando que "três das campas estavam vazias".

"O trabalho da IFT confirma as indicações de uma testemunha sobre a época e a forma das sepulturas", afirmou a investigadora, em conferência de imprensa em Díli.

A antropóloga forense australiana referiu, sem identificar, que a testemunha principal para as exumações de Hera foi "uma pessoa envolvida no enterro das vítimas após o massacre em 1991".
"A posição dos corpos, a idade e o sexo dos indivíduos, bem como a observação preliminar dos traumas ósseos confirmam a alegação de que se trata de indivíduos relacionados com os acontecimentos resultantes do Massacre de Santa Cruz", esclareceu Soren Blau.
A IFT recolheu em Hera "restos dos caixões originais, roupa bem preservada e bens pessoais" que serão agora analisados em detalhe com a ajuda de pessoal médico timorense e das informações das famílias das vítimas.

O Massacre de Santa Cruz nunca foi investigado por especialistas independentes até às pesquisas da equipa australiano-argentina. Gregório Saldanha recordou hoje à Lusa que a lista das vítimas confirmadas é de 73, "mas isto não significa o final do registo".

"Temos obrigação moral de continuar a procurar os restos mortais, não apenas deste mas de outros massacres", salientou Gregório Saldanha.
"Estas exumações são apenas um ponto de partida", disse.
Lusa/fim

FEKIT HUSI MINA RAI


Loro Horta

Kresimentu ho oasn mina rai no prostituisaun labarik nian iha Timor-Leste

Nasaun kiik Asia sudeste nian Timor Lorosae, neebe ema konhese mos nudar Timor- Leste, hatene ona terus no lakon esperansa. Rain nee riku ho povu kiak – kiak rabat rai. Depois de tinan 24 okupasaun brutal husi nia visinhu bot Indonesia, ukun rasik aan lori mos esperansa no mehi barak.

Ilha nee nia riku soin mos lori tan expetativa barak.Iha tinan rua foin liu ba rain nee simu media $1.1 billaun tintinan resitas husi mina rai no gas. Ida nee bot diak se ita ita hare ba populasaun ida neebe kiik liu tanba millaun ida deit.

Maibe, povu nee, neebe terus hodi kleur ona, la hare riku soin nee iha sira nia moris. Desemprego mak barak nafatin, to’o 80 persentu iha Dili, no foho no kampu sira soi hela deit. Maske kiak nee kondisaun moris baibain ona ba maioria povu, ema lubun itoan neebe sai riku los moi laiha husi osan mina rai neebe fakar tuun mos moris besibesik kiiak nee.

Enkuantu povu barak liu mak moris ho dolar ida loroloron deit, assessores 350 neebe Governu Timor nian contrata hetan salarius bot to’o $20,000 fula-fulan, enkuantu funsinarius Governu nian lau ba lau mae ho Lexus, Mercedes no kareta traksaun bot luxu nian iha dalan ho kuak barak iha Dili laran. Ahi mate bebeik, dala ruma bele ahi mate dalan sanulu resin rua iha loron ida deit.

Ema riku lubun itoan nee neebe moris iha kiak nia klaran haburas ona prostituisaun no ema visiadu ba drogas.

Besik eskola mane bot hein iha careta laran ba labarik feto oan sira atu habesik aan ba sira. Feto eskolante oan ida konta mai hau, “ami koalia ho sira no hatete ba sira katak ami presiza sapatu foun atu ba festa. Ami ba ho sira no halo buat nee no hetan ami nia sapatus. Iha infromasaun katak feto oan balun fa’an a’an ona atu hetan deit $5. Ihafoho jornalista sira halo reportagem ona katak iha kasus barak neebe feto oan ho tinan 10 deit fa’an a’an ona ho folin $1.

Hanesan journalista ida halo reportagem: “Iha distritu aman no inan depois simu osan tu’ur hein iha varanda enkuantu ema usa hela sira nian oan feto iha uma laran. Kiaik iha rain nee aat too iha nee.”

Trafiku ba feto oan sira nee hamosu nudar problema seriu liu. Oan feto 18 hetan salva iha fronteira ho Indonesia bainhira ema trafikante estranjeiru koko lori sira sai. Iha rain ida neebe katoliku liu assuntu prostituisaun nee ema taka tilun ba.

Feto barak mak hetan abusus no violasaun husi polisia. Sira tauk keixa no mos munafik social mos halo problema aat liu ba sira se sira halo keixa ruma.Feto nia kondisaun iha Timor-Leste, aat liu iha neebe neebe deit. Violensia domestika kontra feto iha rain nee a’as liu iha mundu tomak, ho prisioneirus neebe iha komarka horas dadaun tanba hetan kondenasaun violasaun sexual ka violensia domestika.

Tanba tuir boatus ulun nain bot barak iha rain nee mos buka feto prostituita, entaun problema sai susar atu resolve mos. Iha boatus barak bebeik katak ema bot husi governu ba bebeik fatin bar prostituisaun neebe Timor oan feto servisu no mos feto prostituitashusi Indonesia, Tailandia, Xina no Filipino. Polisia Timor oan husi forsa elite CSP neebe iha knaar fo protesaun ba VIP sira dehan ba hau ho hamnasa goza: “Hau ba hiit ona feto Xina dalan barak ba maun bot ida.” Bot oinsa hau husu nia. Ministru ka? “Bot diak” nia hatan.

Habitu lau ba lau mai kalan bot lideransa Timor oan sira nian nee halo fraku fali tentativas atu tulun feto timor oan sira, neebe depois de sira hetan violasaun sexual no humiliasaun husi military Indonesia nian, agora ita hare fali sira nia lider rasik no hanaran a’an libertador fila sira nia kotuk ba sira fali. Feto barak mak lakondadauk enkuantu sira nia lider hatudu aan hanesan riku.

Rain ida nee mos sai ba bebeik atraisaun bot ba prostituitas husi estranjeiru neebe sindikatu krime organizadu husi asia Sudeste lori tama. Tuir Fundasaun Alola, ONG ida neebe Primeiru Ministru Gusmao nia feen mak lidera, liu feto prostituita 200 iha Timor laran ona – barak liu mak kontra sira nia hakarak. Alola organizasaun ida ka ruadeit mak tau matan ba problema neebe feto Timor oan no estranjeirusira hasoru.

Bainhira hau sai husi diskoteka ida iha Dili kalan ida hau hare labarik feto oanida neebe ho tinan la liu tinan ualu kaer hela nia alin mane kiik oan, neebe tinan haat karik, nia liman. Hau husu sira halo saida tuku tolu dadersan hanesan neeba, “Lolos imi iha uma”, hau dehan ba sira. Nia hatan “ami presiza osan atu sosa hahan.” Hau husu tan, no depois husu dalan hirak tan, feto oan nee hatan mai hau ho inosensia iha nia matan laran. “Hau nia maun mak haruka hau, nia hein iha dalan sorin neeba,sei hau fila ba sem hetan osan nia baku hau didiak.” Hau fo $5 ba nia no lau liu maibe hau hanoin hela se hau halo los ka lae. Labarik oan sira lolos label iha dalan hanesan nee, pelo menos iha rain ida neebe riku ho mina rai.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

PROSTITUIÇÃO INFANTIL: UM PROBLEMA DO TERCEIRO MUNDO?


Por: Lino Lopes

Timor-Leste depara-se hoje com um problema que atinge tantos outros países do Terceiro Mundo: prostituição infantil. Todos concordamos que é urgente resolver este flagelo.

Contudo, para se poder encontrar uma solução para esta dificuldade, é preciso conhecer as suas causas. A razão que leva meninas de 10 anos a prostituírem-se em troca de um miserável dólar é simples: pobreza. Há uma urgência de satisfazer necessidades básicas, a começar pela alimentação.

À primeira vista, isto poderia significar que Timor é um país pobre, sem a mínima capacidade financeira para adoptar políticas, por mais simples que sejam, de combate às desigualdades sociais.

Mas isto é uma visão simplista das coisas. É preciso ver para além da espuma. Nos últimos dois anos, entraram no país cerca de 2 biliões de dólares, provenientes das receitas geradas pelo negócio do petróleo.

Para onde foi todo esse dinheiro? Trata-se de uma questão simples. Já a resposta não é assim tão simples. No entanto, há uma certeza. Falei há pouco de desigualdades. Elas são evidentes em Timor. Há injustiças perante as quais o mundo não pode fechar os olhos. Quando se sabe que os conselheiros estrangeiros contratados pelo governo timorense ganham 20 mil dólares por mês, não se pode ficar indiferente. É algo revoltante, mesmo para quem não é timorense (é o meu caso).

80% da população de Timor vive com menos de um dólar por dia. Simultaneamente, essa mesma população vê os funcionários governamentais percorrerem as ruas de Díli nos seus Mercedes bem confortáveis.

Duas ideias importantes podem ser retiradas daqui. Por um lado, é previsível que a população timorense se comece a revoltar mais cedo ou mais tarde. Por outro lado, o mundo olha para Timor. Caso os governantes não saibam, hoje há televisões, internet, jornais, rádios e, acima de tudo, pessoas com capacidade para ver e raciocinar.

Mas voltemos à questão inicial: a prostituição. O que se pode fazer? A resposta passa por repensar os modelos de desenvolvimento em Timor. Problemas como este surgem porque há estratégias erradas que são seguidas. É normal isto acontecer em países jovens, como é o caso de Timor.

É por isso que me parece que as futuras gerações do país têm um papel importante a cumprir. Elas podem mostrar ao mundo que Timor é um projecto viável.

A MALDIÇÃO DAS CONVENIÊNCIAS


O crescimento do petróleo alimentado com a prostituição infantil em Timor-Leste

Por: Loro Horta
A pequena nação do Sudeste Asiático, também conhecida como Timor-Leste, não é estranha ao sofrimento e esperanças desfeitas. Esta é uma terra rica onde as pessoas são pobres - desesperadamente pobres. Após 24 anos de brutal ocupação pela Indonésia, o seu grande vizinho, a independência trouxe consigo muitos sonhos e esperanças.
A riqueza substancial da ilha em minerais, aumentou ainda mais essas expectativas.

Nos últimos dois anos o país recebeu uma media de US $ 1,1 bilhões por ano em receitas de petróleo e gás. Um montante significativo se tivermos em conta a sua pequena população de apenas um milhão.

Contudo, o povo que já sofreu por muito tempo, tem visto muito pouco desta riqueza que entra. O desemprego continua elevado, atingindo os 80% na capital, e o interior foi deixado no estado de abandonado. Enquanto a pobreza tem sido parte diária da maioria, é coexistida com bolsas de riqueza escandalosas provenientes da bonança do petróleo.

Embora a maioria das pessoas viva com menos de um dólar por dia, os 350 conselheiros estrangeiros contratados pelo governo timorense tem salários tão elevados como $ 20.000 por mês, enquanto os funcionários governamentais conduzem Lexus, Mercedes e luxuosos quatro-por-quatro veículos ao longo das ruas esburacadas de Díli. Cortes de energia são frequentes, com uma dúzia de cortes por dia, uma ocorrência comum.

Estas bolsas de riqueza no meio de extrema pobreza são rápidos reprodutores de prostituição e toxicodependência.

Perto das escolas homens esperam que as jovens se aproximem deles. Uma rapariga conta-nos a sua história, ”aproximamo-nos deles e dizemos que precisamos de um par novo de sapatos, para ir a uma festa. Nos vamos com eles e fazemos aquilo e depois temos os nossos sapatos.” As raparigas disseram que ja venderam o seu corpo somente por $ 5 dólares. No interior os jornalistas locais noticiaram que há vários casos de raparigas de dez anos que se prostituem por $1 dólar.

Como descrito por um repórter local: "Nos distritos os pais recebem o dinheiro e sentam-se nas suas varandas, enquanto as suas filhas são usadas dentro de sua própria casa. Isso demonstra o quanto é grave a pobreza no nosso pais.

"O trafico de jovens está-se a tornar num problema grave. Um grupo de 18 jovens foram resgatadas dos traficantes estrangeiros perto da fronteira com a Indonésia no inicio deste ano.

Num país católico o problema da prostituição é muitas vezes ignorado. Muitas das mulheres são maltratadas e violentadas pela polícia. O medo de denunciar e a hipocrisia social, agravam ainda mais este problema.

A condição das mulheres em Timor é de toda a maneira horrível. O país tem uma das taxas mais elevadas de violência contra as mulheres do mundo, 70% da população prisional do país é composta por indivíduos condenados por violação e violência doméstica.

O facto de haver rumores de que muitas personalidades da sociedade visitam as prostitutas torna mais difícil de resolver este problema.

Há rumores persistentes de que altos funcionários do Governo frequentam estes bordeis que hospedam jovens prostitutas timorenses e também indonésias, tailandesas, chinesas e Filipinas.

Um polícia timorense da unidade de elite do CSP encarregada da protecção dos VIP disse-me com um sorriso malandro:

“Eu fui buscar lá muitas vezes raparigas chinesas para um irmao grande ( pessoa de influencia)”.
E eu perguntei-lhe. Um ministro? “Grande ”, “ maior”, respondeu.

Os hábitos nocturnos da liderança timorense comprometem ainda mais qualquer tentativa de ajudar as filias de Timor, que após 24 anos de violações e humilhações por parte do exército Indonésio, vêem agora os seus próprios dirigentes e auto-proclamados libertadores virarem-lhes as costas. Muitas mulheres estão perdidas, enquanto os seus dirigentes pretendem ser ricos.

O pais está também a atrair um numero crescente de trabalhadores de sexo estrangeiras que são trazidas para o pais pelo sindicato de crimes da China e do Sudeste Asiático.

De acordo com a fundação Alola, uma ONG chefiada pela australiana, mulher do Primeiro-Ministro Gusmão, mais de 200 trabalhadoras sexuais estão em Timor, e muitas contra a sua vontade.

A Alola é uma das poucas organizações que presta atenção para os problemas de muitas raparigas timorenses e estrangeiras.

Quando eu sai de um clube nocturno em Dili, eu vi uma pequena rapariga que não tinha mais de oito anos a pegar na mão de um irmão com cerca de quarto anos. Eu perguntei-lhes o que estavam a fazer naquele local às três da manha, eu disse, “ vocês deviam estar em casa”. Ela disse, “ preciso de dinheiro para comprar comida.”

Eu questiono-os ainda mais e depois de mais algumas perguntas a rapariga, que tinha ainda a inocência nos seus olhos disse-me, “o meu irmão mais velho manda-me para aqui, ele está no fim da estrada, se eu não arranjar dinheiro, ele bate-me.”
Eu dei-lhe cinco dólares e fui-me embora, preocupado se fiz a coisa mais acertada.

As crianças não pertencem à rua. Certamente que não, numa nação rica em petróleo.

A REALIZAÇÃO DE ELEIÇÕES NA GUINÉ-BISSAU "É UMA PRECIPITAÇÃO"


Diário de Notícias – Lusa
A realização de eleições na Guiné-Bissau nos próximos meses "é uma precipitação", afirmou o ex-primeiro-ministro e líder da oposição de Timor-Leste, Mari Alkatiri, em entrevista à Agência Lusa em Díli.

"O mais importante é não nos precipitarmos com eleições", afirmou Mari Alkatiri sobre a forma como a Guiné-Bissau poderá ultrapassar a actual "instabilidade".

Mari Alkatiri chefia uma delegação oficial do Estado timorense que estará cerca de um mês em Bissau, na sequência dos atentados que vitimaram, na mesma madrugada, o chefe das Forças Armadas guineenses e o Presidente da República.

"Eu sei que é uma imposição constitucional mas como evitar haver precipitação?", questiona o actual líder da oposição sobre a transição guineense, ressalvando que não vai a Bissau "para dar lições a ninguém mas apenas partilhar a experiência timorense".

A realização de eleições "dois meses depois do assassinato do chefe de Estado e do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas é, em qualquer parte do mundo, uma precipitação", explicou Mari Alkatiri.

"Tem que se deixar funcionar as instituições para que retomem o seu funcionamento normal: o Governo, a Presidência da República, as Forças Armadas, o Parlamento. É nisso que a comunidade internacional deve concentrar-se" na Guiné-Bissau, sublinhou o ex-primeiro-ministro de Timor-Leste.

Na entrevista à Lusa sobre a sua missão guineense, Mari Alkatiri salientou que os atentados contra o general Tagme Na Waié e o Presidente João Bernardo "Nino" Vieira foram "o ponto culminante" de uma longa crise.

"Esses acontecimentos marcaram o ponto culminante da crise, porque agora Bissau está sem violência nenhuma e a vida corre normalmente e não foi necessário a intervenção internacional", declarou Mari Alkatiri.

"Isso significa que os guineenses reagiram de uma forma positiva. E isso (é algo que) devemos saudar em vez de continuar a criticar" a situação, acrescentou o ex-primeiro-ministro e secretário-geral da Fretilin.

"Até vou comparar com a crise de 2006 (em Timor-Leste), (em) que tivemos que pedir a intervenção de forças internacionais e mesmo assim levou meses, se não anos, para parar a violência", frisou Mari Alkatiri.

"A crise de 2006 obrigou-me a demitir-me, para travar 20 mil pessoas que vinham a caminho de Dili para arrasar a cidade", referiu Mari Alkatiri.

Nesse aspecto, "é bom pensarmos as coisas de forma mais positiva e reconhecer que os guineenses reagiram de forma positiva" aos acontecimentos de 02 de Março.

Sobre a mensagem timorense para a Guiné-Bissau, Mari Alkatiri afirmou que pretende falar da necessidade de "tolerância mútua" que possibilite a "formação de consensos" na liderança e na sociedade.

Da delegação timorense faz parte Roque Rodrigues, ex-ministro da Defesa do I Governo Constitucional, que parte esta quinta-feira para Bissau, segundo o próprio afirmou hoje à Lusa.

Mari Alkatiri deverá sair de Díli para Bissau a 09 de Abril. A delegação timorense integra também o representante de Timor-Leste na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), embaixador José Barreto Martins.

segunda-feira, 30 de março de 2009

CICLONE TROPICAL EM TIMOR-LESTE

30 Março 2009 - 17h37
Na costa Sul do país

Risco de ciclone tropical em Timor-Leste

Um ciclone tropical em formação lenta no Mar de Timor poderá atingir, quarta-feira, a costa Sul de Timor-Leste, advertem os serviços meteorológicos australianos.

"Um sistema de baixa pressão que se desloca para Timor-Leste poderá tornar-se um ciclone tropical durante os próximos dois dias e atingir a costa da ilha com grandes ondas e fortes ventos", alertou a mesma fonte, que considera tratar-se de uma ameaça potencial para a ilha.


"A principal ameaça são chuvas intensas que poderão conduzir a inundações e potenciais deslizamentos", acrescentaram os serviços meteorológicos australianos.

Fonte: Correio de Manhã

quarta-feira, 25 de março de 2009

IMPUNIDADE TORNOU-SE NO MODUS OPERANDI DE GUSMÃO


Alkatiri disse aos chefes do petróleo que o gás do Sunrise tem de ser canalizado para Timor Leste.

O secretário – geral da FRETILIN e ex-primeiro-ministro, Dr. Mari Alkatiri, disse hoje a uma delegação de executivos de alto nível de varias empresas parceiras do Greater Sunrise que o gás do Greater Sunrise tem de ser canalizado e transformado em Timor Leste.

O Dr. Alkatiri também avisou que a AMP, o Governo de Gusmão, comprometeu as negociações do Sunrise ao fazer negociações secretas com terceiros que não estavam ligados às empresas do Greater Sunrise.

O Dr. Alkatiri falou aos jornalistas, depois da reunião de hoje, em Dili, com os representantes das empresas parceiras do Sunrise, Woodside, Shell, Osaka Gas and Conoco Philips.“Os Governos vêm e vão mas nós, timorenses, vamos continuar a fazer forca para exercer o nosso direito de processar o gás do Sunrise em Timor. Este foi o objectivo das nossas negociações, que resultou na assinatura do tratado entre o Governo da Austrália e o de Timor, “Certos Arranjos Marítimos relacionados com o Mar de Timor”, em Janeiro de 2006”, disse Mari Alkatiri.

O tratado “Certos Arranjos Marítimos relacionados com o Mar de Timor” é especificamente acerca do Sunrise. Se o Sunrise não fôr em frente então as negociações entre os dois países voltam à estaca zero. As companhias de petróleo sabem disso. E eu disse às companhias exactamente isto”, disse Alkatiri.

Desde a assinatura do tratado a questão de onde o gás será canalizado e processado continua por ser resolvido.

Alkatiri disse que o progresso neste assunto foi estagnado devido à incompetência do primeiro-ministro de facto, Xanana, nas negociações, e também a sua falta de vontade em construtivamente e transparentemente negociar com os principais interessados no Greater Sunrise, nomeadamente as empresas parceiras e o Governo Australiano.

“De forma como as coisas estão a decorrer agora o gasoduto e o processamento em Timor Leste do gás do Sunrise, em gás natural liquidificado, não irá ocorrer nos próximos cinco anos. As negociações estão estagnadas. Gusmão cortou totalmente com os principais parceiros interessados na opção de trazer o gasoduto para Timor Leste . Ele tem ignorado os legítimos interesses dos parceiros e está envolvido em “acções clandestinas” ou tácticas de “guerrilha” ao negociar com terceiros”, disse Alkatiri.

O Dr. Alkatiiri acrescentou ainda que “Não há nada de errado em envolver terceiros que possam estar interessados no desenvolvimento do Sunrise. Nós estávamos bastante avançados nas negociações e na implementação de um estudo independente antes de Agosto de 2008.”

“Contudo, acordos secretos não são a melhor maneira de o fazer. Esses acordos são tão secretos que ao povo timorense e aos seus representantes no Parlamento tem repetidamente sido negado o acesso aos detalhes destes acordos.” Acrescentou o Dr. Alkatiri.

Em Junho de 2008, o secretario de estado de facto dos recursos naturais, Alfredo Pires, confirmou ao Parlamento que foram assinados acordos com um consorcio que envolveu a Coreia do Sul e um Chinês com interesses petrolíferos e, confirmou também o envolvimento da Malásia no estudo do gasoduto, mas que ele não iria dar detalhes ou cópias dos acordos porque estes eram “confidenciais”.

“Tudo isto vai contra o regime transparente que nós construímos enquanto fomos Governo”, disse Alkatiri.

“Nós não temos nenhuma maneira de saber se o que foi acordado tinha em vista os interesses de Timor Leste e também se foi legal ou contratualmente apropriado”, adiantou ainda Alkatiri.

“Mas esta é a maneira como Gusmão faz as coisas; secretamente e com desdém para com o papel de fiscalização do Parlamento. A impunidade tornou-se no modus operandi de Gusmão.”

“Não houve concursos públicos ou outros processos competitivos, ou outro processo licitório aberto e competitivo como é exigido pela nossa legislação. Em vez disso, sem ter falado com os parceiros, a administração de Gusmão deu direitos do mercado do gás do Sunrise a uma t erceira parte; mas a que preço e com que lucro ou beneficio e em que termos?”, disse Alkatiri.

“O direito de construir uma unidade de transformação do LNG foi também garantido, mas a que retorno e qual o benefício para Timor, nós não sabemos. O que é que estas entidades receberam em troca de serem parte deste “exército fantasma” de Xanana e da sua “ clandestina campanha de guerrilha” contra as entidades do Sunrise?”, perguntou o Dr. Alkatiri.

O Sr. Gusmão parece gostar de atropelar a Constituição no Estado de Direito, mas depois dele e dos seus amigos saírem deste Governo outros terão de enfrentar a difícil tarefa de reconstruir a soberania deste pais, que está em risco, e a qual parece que ele vai deixar em farrapos,” avisou o Dr. Alkatiri.

Alkatiri disse que a FRETILIN irá sempre lutar pelo direito de processar o gás do Sunrise, em Timor Leste.

“A FRETILIN notificou previamente as companhias de que não reconhece a legitimidade do Governo de facto da AMP. Eles foram todos notificados que nós teremos de ter uma obrigação legal e constitucional de rever caso a caso e depois decidir se concordamos em ficar vinculados aos supostos acordos da AMP”, disse Alkatiri.

“A nossa atitude vai depender de se os supostos acordos irão passar os testes de transparência legal ou comercial e ainda se tem eficácia jurídica. Nós devemos isso ao nosso povo, aos interesses deste e ao Estado de Direito Democrático,” concluiu o Dr. Alkatiri.
FRETILIN – Media Release - Terca-feira, 24 de Marco de 2009 - Dili, Timor Leste - Tradução de ZIZI TIMOR OAN